Uma reflexão: treinamento e desenvolvimento levam à perfeição?

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Muitas pessoas ainda têm um mindset de que quando pensam em “treinamento”, logo imaginam uma sala de aula. Lembrando que treinamento tem muito do conceito 70-20-10, isso é equivocado, pois apenas 10% seria uma sala tradicional, que hoje em dia nem é em local físico, na maioria das vezes, e sim um treinamento formal. Um treinamento formal pode ser um workshop de alguma escola, uma oficina, uma palestra, uma aula particular, um curso online e mais um milhão de opções. Formal é aquilo que a empresa entende como algo obrigatório e formatado. Poderia até ser a leitura de livros, por que não?

Pensando nesse treinamento 70-20-10, 70% é o aprendizado on-the-job, ou seja, mão na massa. A gente mais que aprende o tempo todo, com erros, acertos e bastante trabalho. Duvido que as pessoas não tenham esse aprendizado no dia-a-dia! Pode ser que algum trabalho não exija tanto da nossa máxima capacidade, mas sempre existe algo desafiador, ou podemos nós mesmos propor algo mais complexo!

E os outros 20% correspondem às trocas com várias pessoas. É algo que gosto muito, aprendo demais com as pessoas – desde informações fúteis (eu aprecio todo conhecimento!) até conhecimentos e habilidades super complementares para a minha vida profissional e pessoal. Acho uma parte super rica e é uma das que mais vejo acontecendo de forma efetiva nos ambientes de trabalho que conheço.

Além disso, atualmente, as possibilidades de treinamento são praticamente infinitas e quase tudo pode ser gratuito (ou quase gratuito). A verdade é que falta tempo para conseguir consumir tanto treinamento bom que existe por aí. Há várias plataformas online bem acessíveis. Há várias academias em português e em outros idiomas de baixo custo. E existem infinitas opções de canais gratuitos no YouTube para aprender o que quiser (desde fazer um bolo, até saber de física quântica ou teorias de RH). Existe Wikipédia com alta qualidade, mas nem sempre porque depende do tema.  Há ótimos blogs e sites de personalidades diversas (acadêmicas ou não) e muitos outros recursos.

Tudo isso transforma-se em aprendizado e cada um deve se responsabilizar pelo seu próprio treinamento! Eu costumo entender que as empresas passam os desafios e precisamos saber o que nos torna um profissional mais qualificado para atender às demandas. Infelizmente, com esse mundo VUCA e tão dinâmico, torna-se praticamente impossível uma empresa se responsabilizar em pensar no desenvolvimento de cada indivíduo, então os profissionais devem, sim, buscar conhecimentos dentro e fora da empresa.

Conhecimento já foi sinônimo de poder por muitos séculos. Nestes últimos anos, é sinal de compartilhamento e são várias as trocas que geram essa noção de desenvolvimento e crescimento! É necessário termos mais protagonismo e buscar atualização sempre – até porque, segundo um estudo da Dell Technologies, 85% dos trabalhos em 2030 ainda não existem hoje! Não adianta ficarmos esperando o conhecimento bater à porta da nossa casa ou ficar esperando que alguém chegue ao seu lado para passar alguma informação.

Conteúdo em parceria com o Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP.

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Por Lina Eiko Nakata

Professora no Insper e no IBMEC. Data scientist no Great Place to Work Brasil

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