Ouvir quem está indo embora já virou rotina no RH. Transformar essas respostas em mudança, porém, ainda é raro. Segundo um levantamento nacional com profissionais de RH e DP, 72% das empresas fazem pesquisa demissional nos pedidos de demissão. Mesmo assim, 34% não tomam nenhuma ação a partir dos resultados.
Em outras palavras, a empresa pergunta, a pessoa responde e a informação morre numa pasta. Neste artigo, mostramos por que isso acontece e como fechar esse ciclo.
Sobre a pesquisa
O levantamento ouviu 401 profissionais de RH e DP de todo o Brasil. Além disso, a coleta aconteceu entre 10 e 17 de abril de 2026. Depois, os resultados foram comparados com a edição anterior, que teve 400 respostas.
Por que esse dado pesa agora
Antes de tudo, a rotatividade está alta. Segundo o CAGED, a taxa nacional de desligamentos chegou a 52,9% em 2025. Assim, as empresas acumulam cada vez mais respostas. Se nada muda, os mesmos motivos continuam empurrando os próximos profissionais para a porta.
Consequentemente, o resultado é conhecido: vagas repostas em sequência, custos de contratação recorrentes e uma produtividade que nunca estabiliza.
O que a pesquisa demissional revela
O dado mais importante do levantamento é este: 6 dos 8 principais motivos de saída estão ligados a gestão e cultura. Entre eles:
- excesso de trabalho;
- falta de plano de carreira;
- liderança ruim;
- condições de trabalho.
Portanto, isso muda a conversa. Uma proposta salarial da concorrência nem sempre dá para cobrir. Já esses motivos estão nas mãos da própria empresa. Uma liderança pode ser desenvolvida, e uma carga excessiva pode ser redistribuída. Aliás, a sobrecarga já é realidade para muitos times, como mostramos ao falar de profissionais que acumulam dois empregos em um.
O custo invisível: a confiança de quem fica
Além disso, existe um efeito que não aparece no indicador de turnover. Quando quem saiu apontou problemas e nada mudou, a equipe passa a ver a entrevista de desligamento como protocolo. Por isso, as respostas ficam menos sinceras, e o dado perde valor.
Por que a pesquisa demissional não vira ação
Afinal, o próprio Mapa ajuda a entender as causas mais prováveis:
- Respostas espalhadas. Afinal, formulários soltos em e-mails e planilhas impedem que alguém enxergue padrões.
- Falta de dono. O RH coleta, porém ninguém transforma as respostas em plano de ação com os gestores.
- Perguntas genéricas. Por isso, questionários vagos geram respostas vagas, difíceis de virar mudança.
Como fechar o ciclo em cinco passos
- Padronize o questionário. Assim, perguntas iguais para todos permitem comparar áreas, cargos e gestores.
- Consolide as respostas. Por exemplo, uma análise mensal ou trimestral mostra quais motivos se repetem.
- Cruze com outros dados. Em seguida, relacione os motivos de saída com clima, desempenho e tempo de casa.
- Leve os achados aos gestores. Além disso, cada líder precisa conhecer os motivos de quem saiu do seu time e assumir ações com prazo.
- Mostre o que mudou. Por fim, contar à equipe as melhorias feitas a partir das respostas devolve a confiança no processo.
Como fazer perguntas melhores na pesquisa demissional
Um bom questionário demissional combina quatro elementos:
- perguntas fechadas, para comparar respostas ao longo do tempo;
- um espaço aberto, para a pessoa explicar a decisão;
- uma pergunta sobre se ela voltaria a trabalhar na empresa ou a indicaria;
- anonimato, sempre que possível.
Uma dica prática: evite perguntas como “Como foi sua experiência?”. Em vez disso, pergunte sobre carga de trabalho, carreira, liderança e condições de trabalho. Assim, a resposta já chega pronta para virar ação.
Como saber se as ações funcionaram
Afinal, sem medir, o RH não sabe se reduziu as saídas ou só mudou o problema de lugar. Acompanhe estes indicadores:
- rotatividade mensal e anual por área;
- mudança nos motivos de saída depois de cada ação;
- tempo médio de permanência;
- saídas nos primeiros meses de casa;
- pesquisa de clima, para antecipar insatisfações.
Por fim, analise também as demissões feitas pela empresa. Se muitas acontecem por baixa adaptação, o problema pode estar antes, no recrutamento ou na integração.
Em resumo
- 72% das empresas fazem pesquisa demissional, mas 34% não agem com os resultados.
- A taxa de desligamentos chegou a 52,9% em 2025.
- 6 dos 8 principais motivos de saída são de gestão e cultura, ou seja, a empresa consegue corrigi-los.
- Consolidar as respostas, definir um dono e fazer perguntas específicas transforma escuta em ação.
Cada pesquisa demissional sem resposta é um aviso ignorado sobre o próximo pedido de demissão. A Burh ajuda o RH a conectar dados de saída, clima e recrutamento para reter melhor e contratar com mais acerto.
Fonte: levantamento nacional com 401 profissionais de RH e DP (abril de 2026).


