Os candidatos estão se esforçando mais do que nunca para serem notados. Enquanto isso, as empresas recebem mais candidaturas do que conseguem avaliar. No meio disso, a experiência do candidato piorou. Agora, uma nova pesquisa da Greenhouse mostra o tamanho desse desencontro.
O estudo ouviu mais de 2.800 pessoas nos EUA, Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Austrália. Embora não haja dados do Brasil, os comportamentos são familiares para qualquer recrutador daqui.
Experiência do candidato: mais esforço, menos retorno
Primeiramente, os números mostram a frustração de quem procura emprego:
- 71% fizeram algo a mais para serem notados;
- 27% pagaram por um serviço de currículo;
- 81% foram rejeitados no último ano sem falar com ninguém;
- 45% dos entrevistados ficaram sem resposta da empresa depois da entrevista.
Além disso, na Geração Z, a rejeição sem contato é ainda mais frequente: 38% dizem que isso acontece quase sempre.
O jogo de gato e rato com a IA
A IA mudou o jeito de se candidatar. Assim, hoje os candidatos escrevem para dois públicos: o sistema que faz a triagem e o recrutador que pode desconfiar do uso de IA.
- 77% dos candidatos nos EUA usaram IA para procurar emprego;
- 62% tentaram táticas para passar pela triagem automática;
- 40% incluíram palavras-chave de habilidades que não têm;
- um terço colocou texto escondido para enganar os filtros.
Para o RH, portanto, a consequência é séria. Afinal, um filtro baseado só em palavras-chave premia quem joga melhor com o sistema, e não quem tem as competências.
O que o candidato quer mostrar
Apesar de tudo, o desejo é simples. Por exemplo, quase todos (96%) querem mostrar algo que a candidatura não permite. Além disso, mais da metade quer provar que sabe aprender e se adaptar.
Além disso, a entrevista com IA não assusta tanto. Entre quem fez uma, inclusive, 70% sentiram que puderam mostrar suas habilidades. A condição é transparência: 88% querem que a empresa seja obrigada a avisar quando usa IA.
Como melhorar a experiência do candidato na sua empresa
1. Responda a todos. Afinal, o silêncio é a reclamação número um. Um retorno automático, gentil e com prazo claro custa pouco e melhora a imagem da empresa.
2. Revise o que a sua triagem premia. Por exemplo, combine critérios objetivos com evidências reais, como perguntas bem desenhadas, testes curtos e amostras de trabalho.
3. Dê espaço para o candidato mostrar como pensa. Afinal, uma etapa com perguntas padronizadas revela mais do que um currículo polido por IA.
4. Seja transparente sobre o uso de IA. Primeiro, explique o que a ferramenta faz e quem decide no final. Além disso, no Brasil isso conversa com as regras de revisão de decisões automatizadas da LGPD.
5. Mantenha uma pessoa responsável. Afinal, a confiança depende de o candidato saber que alguém vai olhar as respostas. Por isso, defina quem revisa e em qual etapa.
Em resumo
- 81% dos candidatos foram rejeitados sem contato no último ano.
- 62% tentaram driblar a triagem por IA, e 40% usaram palavras-chave falsas.
- Os candidatos aceitam IA no processo, desde que a empresa seja transparente.
- O caminho é responder a todos, avaliar competências e manter pessoas no controle.
A experiência do candidato virou parte da marca empregadora. A Burh ajuda a montar um processo seletivo que responde a todos, avalia competências de verdade e usa IA com transparência.
Fonte: HR Dive, 23/10/2026, com dados da Greenhouse.


